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"COURO
DE BOI"
Existe um certo ditado Que é do tempo do Zagai Diz que um pai trata dez filhos E dez filhos não tratam de um pai. Sentindo o peso dos anos Sem poder mais trabalhar Um velho peão boiadeiro Com seu filho foi morar. O seu filho era casado Tinha uma mulher muito devagar E chega para o marido e disse Mande esse velho daqui embora Se não quiser que vá O filho chega para o pai e diz, Para o senhor se mudar Meu pai eu vim lhe pedir E hoje da minha casa O senhor vai ter que sair E leve este couro de boi Que eu acabei de curtir Para lhe servir de coberta Aonde o senhor for dormir O pobre velho calado Pegou o couro e saiu Seu neto de oito anos Aquela cena assistiu O menino foi atrás do avô Seu paietó sacudiu Metade daquele couro Chorando ele pediu O velhinho comovido Para não ver o neto chorando Partiu o couro no meio E para o netinho foi dando O menino chegou em casa Seu pai foi lhe perguntando Para que você quer esse couro Que seu avô ia levando? O menino disse ao pai Um dia vou me casar E o senhor vai ficar velho E comigo irá morar Pode ser que aconteça De nós não se combinar E esta metade do couro Dou para o senhor levar. |
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Autor:
Diogo Mulero e Teddy Vieira
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"OLHAR
PENETRANTE"
Pelo brilho dos seus olhos Deu pra ver seu coração Para mim foi uma emoção Conhecer a Vossa Alteza Tu és rica de beleza Me deixou alucinado Esses seus lábios rosados Sequiosos de paixão Deixou o meu coração Numa noite calma e bela Tu és uma cinderela Dona do meu coração Tu és uma linda deusa Que Deus uma dia criou Sempre cheia de amor Para me oferecer Me encantou com seu poder Com seus eternos carinhos Oferecendo um beijinho A um poeta apaixonado Com o coração flagelado Eternamente sozinho |
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Autor:
José de Arimatéia (Patativa do
Ceará)
Cidade Natal: Capistrano-CE |
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| "QUEM
É BOM, JÁ NASCE FEITO" Quem nasceu pra ser padeiro Nunca tira a mão da massa Quem corta grama da praça É chamado jardineiro O fole de um sanfoneiro É quem anima um pagode Quem nasceu pra capâ bode Nunca pode ser prefeito Quem é bom, já nasce feito Quem quer se fazer não pode Nunca tira a mão da massa Quem nasceu pra ser padeiro É chamado jardineiro Quem corta grama da praça É quem anima um pagode O fole de um sanfoneiro Nunca pode ser prefeito Quem nasceu pra capâ bode Quem é bom, já nasce feito Quem quer se fazer não pode |
| Autor:
José de Arimatéia (Patativa do Ceará) Cidade Natal: Capistrano-CE |
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| "PODE
SER TALVEZ NÃO SEJA" Pode ser talvez não seja São essas mulheres andejas, Que andam perambulando No caminho da igreja O Povo chamam de "Puta" Elas olham e nem escutam Pode ser talvez não seja. |
| Autor:
José de Arimatéia (Patativa do Ceará) Cidade Natal: Capistrano-CE |
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| "NÃO
TE CONHECI" Quando passastes por mim Disseram-me que eras tu Esforcei-me, mas mesmo assim Eu não te conheci. Como esquecer aquele fantástico amor, A um só tempo, Angelical, Profano, Místico. Tu passastes por mim Eu não te conheci. Como esquecer tantos beijos ardentes, Em montanhas de emoções Nossos corpos ligados Exalando amor, Onde quanto mais intimidades tínhamos No íntimo, tu mais querias amor! Assim mesmo Eu não te conheci. Quando passastes por mim E afirmaram-me que eras tu Corri de pronto ao teu encontro Com timidez beijei-te E pelo beijo frenético que me destes Eu te reconheci. |
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Autor:
Luciano Arruda
Cidade Natal: Fortaleza-CE |
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"LAR
NATIVO"
A índia despida Tão cheia de vida Nas margens do mar O vento a soprar A água faz onda Molha a linda bunda E o desnudo quadril. O sol no céu límpido Irradia a luz Não era Vera Cruz Nem era Brasil... Nua na praia Sem blusa, sem saia Sob um céu de anil Sem o intruso vil Das terras de além mar A índia a olhar Os encantos mil! O verde das matas Atrai e seduz Não era Vera Cruz Nem era Brasil... Tanta liberdade Na realidade Um dia sumiu O índio varonil Fôra escravizado Sendo então forçado Ao trabalho servil. E o vasto lar nativo O branco reduz Era Vera Cruz E hoje é Brasil!!! |
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Autor:
Antonio Carlos da Silva (Rouxinol
do Rinaré)
Cidade Natal: Quixadá-CE SOPOEMA - Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú |
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"A
MERETRIZ"
Se alguém te chamas de perdida e louca Não acredites pois não é verdade Há quem procure cheio de ansiedade A graça e o riso que tu tens na boca Fostes menina, já usastes touca Fostes donzela, tinhas virgindade Tudo é fugaz, tudo é brevidade De qualquer forma nossa vida é pouca Nunca lamentes seu viver de puta Entre os pomares tu também és fruta Alguém te estima e com fervor te quer No chão na cama ou dentro de uma rede. Tu és a fonte de matar a sede Do desgraçado que não tem mulher. |
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Autor:
Patativa do Assaré
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"CARALHO"
Caralho, pai de todos os mortais, consolador de todas as bucêtas; conselheiro e arrimo dos casais; alma dos cús e coração das gretas... Contra o "bicho", minha noiva, não te metas; Nem tampouco provoques loucuras ao rapaz. Porque nas horas das "casacas pretas" Não há bucêta que lhe deixe em paz. Trata-o bem. Considera este "mulato". Dispense ao "zinho" seu maior afeto, Pois na vida ele representa um fato. Foi com ele que a tua mãe sempre se serviu. Ele é 'teu pai', meu pai, pai do soneto E também pai da puta que te pariu. |
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Autor:
Augusto
Bartolomeu de Oliveira
Cidade Natal: Maracanaú-CE |
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"MORTE"
Me assusta todo esse teu poderio De força abstrata e cântico funéreo Não me inebrie com um perfume etéreo Pois tenho medo do sepulcro frio. Não me sepulte num lugar sombrio Sob o chão macabro de um cemitério Se me levares, faça-o sem mistério Me exponha aos ventos sem roubar meu brio. Não quero ser um banquete de verme Espero que queimem minha epiderme Transformando em cinza a falsa beleza Que outrem não sinta sede de vingança Pois somente assim minha alma descansa Seguindo o curso da mãe natureza. |
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Obs.:
O poema acima foi classificado entre os melhores do concurso "I Prêmio
Dragão do Mar RODAS DE POESIA, Poesia e Performance poética" e publicados
em livro em janeiro de 2003.
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Autor:
Luiz Eduardo Serra Azul Filho
Cidade Natal: Fortaleza-CE SOPOEMA - Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú |
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"EU
SOU"
Eu sou a nódoa do sudário Sou a vida no calvário Sou o bálsamo da dor. Eu sou a conta do rosário O julgamento sumário O eterno encanto do amor. Posso voar se eu quiser Ser desejo da mulher Ver no medo um trampolim. Sou dono dos erros meus Posso também ser meu deus Pois o mesmo habita em mim. Eu sou a sombra no deserto Bem e mal, errado e certo, Eu sou terra, fogo e mar. Mas sou a presa que nutre A fome do velho abutre Se a morte me beijar! |
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Obs.:
O poema acima foi classificado entre os melhores do concurso "I Prêmio
Dragão do Mar RODAS DE POESIA, Poesia e Performance poética" e publicados
em livro em janeiro de 2003.
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Autor:
Luiz Eduardo Serra Azul Filho
Cidade Natal: Fortaleza-CE SOPOEMA - Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú |
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"SONETO"
A minha dor suprema, quem à nota? Quem se importa com meu infortúnio, Se sou jardim de um só pelargônio, Se o meu verso é minha dor que brota? Viajante não sou de qualquer rota! E se odeio fevereiro e desprezo junho É por não querer ser um intercolúnio, É por eu ser poeta e não idiota. E o amor foi o que compôs meus rastros Para que eu brilhasse como os astros Que compõem o céu que a humanidade expia. E o meu espírito decai-se quedo É o guerreiro que lutou sem medo Pela verdadeira e humana poesia. |
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Autor:
Bartolomeu Augusto de Oliveira (Memeu)
Cidade Natal: Fortaleza-CE SOPOEMA - Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú |
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